quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Clarice Lispector e a Valorização da Imagem da Mulher

Entre todos os objetivos ao qual a moda é aplicada, o essencial, é a valorização da imagem. Os visagistas são os profissionais responsáveis em revelar as qualidades de uma pessoa, de acordo com as suas características visuais e físicas. É neste contexto que eu me lembro de um texto da escritora Clarice Lispector.

Clarice Lispector (foto: divulgação)
O que Clarice Lispector tem haver com a moda? Muito! Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares, eram os pseudônimos utilizados pela escritora para assinar as páginas de jornal e folhetins em meados dos anos 50. Clarice é a imagem das primeiras colunistas de moda que surgiram no Brasil e em suas páginas, Lispector escrevia e dava dicas domésticas, falava sobre beleza e moda. Segundo Buitoni (2009) “três grandes eixos sustentam a imprensa feminina: moda, casa e coração. O vestir, o morar, o sentir”. 

Clarice escreveu: “Estar na moda é saber sublinhar a própria personalidade marcando-a com a data de hoje” (Diário da noite, 1960); falou sobre a idade e a moda: “A beleza não tem idade. [...] Seja você mesma, sedutora, elegante, bonita, com a idade que possui”. (Correio da Manhã, 1960).

Dior (foto:Jean-Baptiste Mondino)
Contudo, acredito que a autora esteve e ainda está à frente do tempo. Suas dicas, de uma literatura intrínseca, ressaltam detalhes que hoje, cinquenta e cinco anos depois, devem ser consideradas. Podemos afirmar que o vestuário é uma extensão do corpo, isso significa que a roupa representa de forma temporária o que nós queremos comunicar. A roupa, por sua vez, veste o corpo, recobrindo-lhe como uma segunda pele, o que lhe confere uma constituição anatômica muito diversa” (CASTILHO; MARTINS, 2005, p. 86).

Clarice fala de mulheres que são escravas da beleza, se sujeitam aos caprichos dos estilistas e estão sempre vagando atrás da ultima moda. “Todas as mulheres?” Não! A mulher inteligente não é escrava desses caprichos, escreveu em 1959, para o Correio da Manhã. Compreender a “mulher inteligente” ao qual ela faz referência, não é complexo, ela se dirigia aquelas que se submetiam a todos os tipos de extravagância em nome da beleza. “Ano a ano, variam as modas. Saias sobem, saias descem, saias armam, como abajures ou se estreitam como malha de bailarina. E as mulheres obedecem à moda”. Ainda na crônica, Clarice destaca a inteligência visual de suas leitoras “Andem na moda, claro! Adotem penteados, pinturas, adereços modernos! Mas modernizem, antes de qualquer coisa, a sua mentalidade! Raciocinem, estudem a si próprias, em detalhes, lembrem-se de que o que fica bem a uma Elizabeth Taylor, miúda, frágil, com beleza de boneca, ficaria ridículo em Sophia Loren e vice-versa. No entanto, ambas são lindíssimas”.

Elizabeth Taylor (foto: divulgação).
É neste contexto que eu me dirijo a você minha leitora e assim como Lispector espero que você faça parte desse grupo seleto que pertencem às mulheres inteligentes. A sabedoria subversiva da autora é atemporal e de suas palavras podemos partir para a nossa reflexão ao qual essa postagem se faz referência. A valorização de sua imagem.

RACIOCINEM E ESTUDEM A SI PRÓPRIAS

O que lhe cai bem? Cada pessoa possui características únicas, todavia, a moda dividiu essas características em tipos de silhueta e é necessário conhecer aquela em qual o seu biotipo se encaixa, pois o trabalho de valorização da sua imagem começará por ai.

Quando estiver em frente ao espelho imagine que seu corpo se divide em quatro linhas básicas: Ombros, busto, cintura e quadril, pois é importante que você identifique em qual delas está o seu ponto forte e o seu ponto fraco. Denomina-se, popularmente como ponto fraco, aquele lugar que você deseja disfarçar e ponto forte aquele que merece destaque e irá valorizar a sua imagem. Quando analisar não é o suficiente, com o auxilio de uma fita métrica descubra as medidas desses quatro pontos e trace uma silhueta ligando-os. No final você irá encontrar uma figura geométrica plana que se duplicada dará forma aproximada a uma dessas silhuetas: Ampulheta, retangular, oval, triangulo e triangulo invertido (que nós iremos conhecer uma a uma posteriormente).


Sophia Loren (foto:divulgação).


Eu termino essa postagem garantindo a você leitora que existe um universo infinito com possibilidades inúmeras para a valorização da sua imagem pessoal. É necessária a orientação correta e clara para que você consiga compreender e colocar em práticas os ensinamentos teóricos da moda. Por ultimo me despeço com a reflexão de nossa mestra Lispector:

“Observem como se vestem as mulheres tidas como as mais elegantes do mundo. A duquesa de Windsor, por exemplo. Nunca se entrega aos exageros da última moda, veste-se discretamente, e é a rainha da elegância. Sem ter sido jamais uma mulher bonita, conseguiu conquistar um rei. Por ser uma mulher inteligente, sabe valorizar e tirar partido dos poucos encantos que possui”. (Helen Palmer. 1959).

Boa noite!

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